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Enguias usam descarga elétrica como controle remoto de suas presas


Choques na água provocam a contorção de animais escondidos. Dessa maneira, enguias conseguem localizar suas vítimas com facilidade.

A enguia-elétrica, também conhecida como peixe-elétrico, poraquê ou apenas enguia, pode liberar uma descarga elétrica potente para atacar suas presas indefesas. Mas esse choque não é usado apenas para atordoar outros peixes.

Um novo estudo mostra que as enguias usam a eletricidade como forma de controle remoto sobre suas vítimas, fazendo com que peixes que possam estar escondidos se contorçam, expondo sua localização, ou induzindo contrações involuntárias de músculos para incapacitar suas presas.


Enguias usam choque para paralisar suas vítimas de longe.

"Aparentemente, enguias inventaram a taser muito antes dos humanos", diz o biólogo Kenneth Catania, da Universidade Vanderbilt, no estado do Tennessee, nos EUA, que conduziu a pesquisa publicada no dia 4 de dezembro de 2014, na revista "Science".

O estudo revela precisamente o que o choque de uma enguia faz com sua vítima. Em experimentos de laboratório, Catania mostrou como as descargas elétricas atingem remotamente os neurônios da presa que controlam os músculos.

Enquanto estão caçando, as enguias periodicamente dão duas descargas de alta voltagem com uma pausa de 2 milissegundos entre elas, causando uma contração involuntária coletiva em animais que possam estar escondidos nas redondezas. As enguias, muito sensíveis a movimentos na água, podem detectar o movimento provocado pela contração, descobrindo a localização dos peixes.

A enguia, então, dá um choque mais longo e intenso para imobilizar a presa, provocando contração involuntária dos músculos, como uma pistola taser, o que permite sua captura.

"Passei grande parte de minha carreira examinando adaptações extremas e habilidades de animais. Eu vi muita coisa interessante, mas as habilidades da enguia são espantosas, talvez a coisa mais incrível que eu já observei", diz Catania.

As enguias-elétricas, com corpos de serpente e cabeças achatadas, podem ter de 1,8 a 2,5 metros e vivem nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco.

(//g1.globo.com/natureza/noticia/2014/12/enguias-usam-descarga-eletrica-como-controle-remoto-de-suas-presas.html)